quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Um espetáculo de recomeços


Chegar cedo, aquecer, concentrar.

Na noite anterior tínhamos nos dado conta de que finalmente mostraríamos o filho criado, quando nos reunimos para dar entrevista à jornalista Raphaela Ramos, da Tribuna de Minas.
Diante da autoavaliação e do primeiro contato com o “outro”, a conclusão era uma: tínhamos um trabalho diferente, que exigiria percepções diferentes do público.

Caracterização, luz, ajustes finais.

O que nos unia era a fidelidade construída durante os oito meses trabalhados. Sabíamos que a casa já guardava muito de cada um de nós. Era hora de fazê-la respirar os “novos ares” que propúnhamos com estudo, disciplina e afeto.

Mas o frio na barriga costumeiro ganhava notas diferentes de ansiedade. Os aplanadores compartilhavam em silêncio o sentimento daquela casa vazia prestes a receber os primeiros estrangeiros, aqueles a trazer o pó intimidante que desconhecíamos: Estranheza? Dúvida? Apatia?

Três, dois, um.

A estrutura de repetição das cenas dava uma sensação de infinito aos atores e as energias estabeleciam um “crescente” que eu, como ator, nunca experimentei daquela forma.

Por fim, percebíamos conjuntamente o que a diretora avaliava, surpresa e satisfeita: o espetáculo achava nuances e intenções completamente inesperadas no contato com o público. Cada público nos oferecia um espetáculo diferente, um espetáculo que, para os aplanadores, seria sempre de recomeços.
Estreamos agradecidos pelo contato com o estrangeiro: tínhamos diante de nós uma plateia sensível, carinhosa e muito receptiva à nossa proposta.

Ontem o menino nasceu com todos os dedinhos. Agora é continuar cuidando pra saber até onde ele vai...

Merda!!

Felipe Moratori

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